Resumo: Na consolidação das ciências sociais no Brasil, nos meios acadêmicos, houve uma preocupação em estabelecer um conhecimento propriamente científico, com bases epistemológicas que pudessem explicar a realidade brasileira, suas condições sociais e culturais em via de desenvolvimento histórico, respectivamente analisando suas contradições econômicas. A partir da tradição sociológica criada na Universidade de São Paulo, nos anos de 1930, há uma tentativa de reestruturação teórica que buscaria olhar para o Brasil de modo mais científico e menos ensaísta ou literário. Caberia a ciência desvendar o que seria o Brasil, sua história, sua economia capitalista subdesenvolvida ou dependente, sua nacionalidade e identidade, entre outros fatores que vem agregar uma narrativa de uma país que foi descrito por alguns como híbrido, cordial, patrimonial, passando pelo subdesenvolvido, de modernidade anômala, inacabado ou até mesmo pós-moderno. Aparentemente, as ciências sociais brasileira, na tentativa de fundar determinada ideia sobre o que é o Brasil, parece não ter conseguido desvencilhar um olhar a respeito do que os pensadores sociais, influenciados pelo senso comum, já haviam demonstrado: o Brasil dos brasileiros também pode ser entendido sob a ótica dos esteriótipos que nos define.
Palavras-chave: Brasil; sociologia brasileira; pensadores do brasil; crítica ao pensamento social brasileiro.
Summary: In the consolidation of social sciences in Brazil, within academic circles, there was a concern to establish a body of properly scientific knowledge, with epistemological foundations that could explain Brazilian reality and its sociocultural conditions in the process of historical development, analyzing, respectively, its economic contradictions. Starting from the sociological tradition created at the University of São Paulo in the 1930s, there was an attempt at theoretical restructuring that sought to look at Brazil in a more scientific and less essayistic or literary way. It would be up to science to unveil what Brazil was, its history, its underdeveloped or dependent capitalist economy, its nationality and identity, among other factors that contribute to a narrative of a country that has been described by some as hybrid, cordial, patrimonial, in transition to underdevelopment, of anomalous modernity, unfinished, or even postmodern. Apparently, Brazilian social sciences, in their attempt to establish a particular idea of what Brazil is, seem incapable of disentangling themselves from what social thinkers, influenced by common sense, had already demonstrated: the Brazil of Brazilians can also be understood through the lens of the stereotypes that define us.
Keywords: Brazil; brazilian sociology; brazilian thinkers; critique of brazilian social thought.