ISSN:2238-6408 (online)
Clódson dos Santos Silva - UESPI

 

Resumo: O artigo analisa a noção de participação política no Brasil a partir de diferentes perspectivas teóricas e propõe uma leitura inspirada na antropologia da política. Desde a redemocratização e a Constituição de 1988, “participação” tornou-se central nos discursos políticos, nas políticas públicas e nas ações da sociedade civil. Experiências como conselhos gestores e orçamentos participativos passaram a ser apresentadas como instrumentos de democratização da gestão pública, enquanto organismos internacionais, governos e organizações civis incorporaram esse discurso em projetos e programas institucionais. Esse uso ampliado produziu uma noção polissêmica, aplicada a contextos e práticas diversos. Parte da literatura analisa essas experiências a partir de modelos normativos ou de avaliações institucionais baseadas em ideais de democracia participativa. O artigo revisita debates clássicos sobre participação política, especialmente as tensões entre democracia representativa e participativa, e discute abordagens brasileiras centradas no desenho institucional dessas experiências. Como alternativa, propõe uma abordagem antropológica baseada na investigação etnográfica das práticas e dos significados atribuídos pelos próprios atores sociais à participação em contextos específicos.

Palavras-chave: democracia; participação; antropologia da política.

Abstract: The article examines the notion of political participation in Brazil from different theoretical perspectives and proposes an approach inspired by the anthropology of politics. Since the redemocratization process and the 1988 Constitution, “participation” has become central in political discourse, public policies, and civil society actions. Experiences such as management councils and participatory budgeting have been presented as instruments for democratizing public administration, while international organizations, governments, and civil society groups have incorporated this discourse into institutional projects and programs. This broad usage has produced a polysemous concept, applied to diverse contexts and practices. Part of the literature analyzes these experiences through normative models or institutional evaluations based on ideals of participatory democracy. The article revisits classic debates on political participation, particularly the tensions between representative and participatory democracy, and discusses Brazilian approaches focused on the institutional design of these experiences. As an alternative, it proposes an anthropological approach based on ethnographic investigation of the practices and meanings that social actors themselves attribute to participation in specific contexts.

Keywords: democracy; participation; anthropology of politics.