Resumo: Um vislumbre reflexivo em torno de comportamentos existenciais e políticos de nosso tempo podem nos revelar o presente como a atualização e reapropriação transfigurada de marcas profundas e de certas tendências postas em curso no passado, principalmente visíveis desde a modernidade tardia, tendências declinantes e desumanizadoras, como por exemplo, a reaparição do radicalismo de direita no macro plano da geopolítica, bem como no aumento considerável de psicopatogias associadas ao modo de condução da vida contemporânea. Tais fenômenos desafiam a compreensão conceitual na busca de identificação de tendências macrossociais já presentes na sociedade moderna e que até hoje possam servir de ponto de partida para compreensão de nossa própria danificação, presente no modo de condução da vida ocidental. Nesse sentido, o presente artigo procura vincular a sociedade de massa, caracterizada por Hannah Arendt e Adorno com os desdobramentos de nossa epocalidade em curso, remetendo tal vinculação à forma atual do neoliberalismo, que se apresenta, conforme Pierre Dardot e Christian Laval, como uma forma de racionalidade que perpassa todo o tecido social e superdimensiona a competitividade como aspecto central na redução da subjetividade de nosso tempo à uma empresa, gerando com isso um conjunto de danificações que instrumentalizam a subjetividade contemporânea.
Palavras-chave: sociedade de massa, neoliberalismo, subjetivação, competição, sofrimento psíquico.
Abstract: A reflective look at the existential and political behaviors of our time reveals the present as a transfigured actualization and reappropriation of deep-seated traits and trends set in motion in the past—particularly visible since the onset of late modernity. These are declining and dehumanizing trends, exemplified by the resurgence of right-wing radicalism in geopolitics and the significant rise in psychopathologies linked to the contemporary way of life. Such phenomena challenge our conceptual understanding as we seek to identify macro-social trends already present in modern society—trends that continue to serve as a starting point for grasping the damage inherent in the Western way of life. In this context, this article seeks to link the concept of mass society—as characterized by Hannah Arendt and Adorno—with the unfolding dynamics of our current era. It connects this link to the contemporary form of neoliberalism which, according to Pierre Dardot and Christian Laval, manifests as a rationality permeating the entire social fabric; it elevates competitiveness to a central role, reducing the subjectivity of our time to that of an enterprise and thereby generating a range of damaging effects that instrumentalize contemporary subjectivity.
Keywords: mass society, neoliberalism, subjectivation, competition, psychological suffering.