ISSN:2238-6408 (online)
Luiz Carlos Santos da Silva - UFU

RESUMO: O presente artigo tem por objetivo explicitar como a conduta dos homens hobbesianos em estado de natureza não deve ser dita nem boa nem má, mas apenas natural, isto é, em conformidade aos princípios de uma filosofia mecanicista da natureza que é sinônima de movimento. Considerando o modo como Hobbes aplica seu método resolutivo-compositivo sobre a matéria das paixões dos homens-máquinas, o artigo busca mostrar como a consideração das causas eficientes funda o materialismo hobbesiano sobre uma postura filosófica que rejeita a causa final como princípio fundamental do conhecimento científico. Com esse interesse, procuramos apresentar como uma aplicação peculiar do método geométrico sobre as paixões humanas ilustra e representa o mecanicismo antropocêntrico de Hobbes fundado sobre uma espécie de materialismo nominalista que opera em conformidade à definição das formas dos corpos gerados pelo movimento. Sob um prisma utilitarista do método geométrico, o artigo procura também destacar de que modo diferentes concepções de homem e de autoridade civil parecem estabelecer divergências fundamentais entre o mecanicismo contratualista de Hobbes e o pensamento republicano de Maquiavel.

PALAVRAS CHAVES: Modernidade, Antropocentrismo, Mecanicismo, Materialismo, Representação política

 

ABSTRACT: This paper aims to explain how the conduct of men in Hobbesian state of nature can not be said neither good nor bad, but only natural, that is, in accordance to the principles of mechanistic philosophy of movement synonymous nature. Considering how Hobbes applies his method on the subject of the passions of men-machines, we seek to show how the consideration of efficient causes the Hobbesian materialism founded on a philosophical stance that rejects the final cause as scientific knowledge principle. With this interest, try to present how a peculiar application of the geometric method on human passions illustrates and represents the anthropocentric mechanism of Hobbes founded on a nominalist materialism that operates whenever the definition of the forms of figurative bodies. Under the utilitarian prism method, we seek to highlight how different conceptions of man and of civil authority seem to establish fundamental differences between his philosophy and the thought of Machiavelli.

KEYWORDS: Modernity, Anthropocentrism, Mechanicism, Materialism, Political representation